PALAVRAS NO AVESSO – TUTORIAL PARA VIVER SEM SUA MÃE

Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz
Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz

 

Domingo passado foi o Dia das Mães. É um dia lindo para quem ainda tem a sua mãezinha, esteja ela onde estiver – só o fato de ela estar viva já é um alento e uma dádiva para você. Eu não tenho a minha desde 2000, já são 17 anos sentindo muita falta, todos os dias, principalmente nessas datas especiais. No Dia das Mães, então, parece que jogam em mim uma bomba de Hiroshima…

Então, vou deixar aqui um tutorial para quando você perder a sua mãe, que não é eterna – ao menos, não nesse plano.  São cinco regras básicas:

  1. Quando você perder a sua mãe, você sentirá, nos primeiros dias, uma sensação absolutamente estranha – uma tristeza que parece arder como um carvão em brasa apertando o seu coração. Também sentirá uma queimação no estômago, que parece uma gastrite. Suas pernas também parece que foram embora com ela. E sua cabeça ficará zonza, por muitos dias – podem ser os remédios que lhe deram ou o sono (um sono estranho que surge) ou ainda um torpor somente. Essa sensação pode durar um dia, uma semana, um mês, seis meses ou um ano. Ou mais. Não há regra para isso.

 

  1. Com o tempo, você vai descobrindo, na lida diária, os buracos que, verdadeiramente, sua mãe deixou: aquela orientação certeira que só ela tinha para lhe dar; aquela palavra amiga que acalentava o seu coração; aquele encorajamento, servido com uma porção de carne de panela ou de estrogonofe ou lasanha (o prato pode ter outras variações, mas o encorajamento tem sempre o mesmo sabor); aquele afago na sua cabeça, que parece que tinha o poder de aliviar o seu corpo inteirinho; aquele colinho que nenhum adjetivo pode qualificar – Maravilhoso? Fantástico? Adorável? Nenhum cabe totalmente. Talvez todos juntos e mais uns duzentos.

 

  1. Você também perceberá que ninguém será capaz de lhe dar broncas tão bem dadas, com tanta autoridade e tão necessárias – nem sua esposa, nem seu marido, nem seus amigos/suas amigas, nem seu/sua chefe, nem seu padre, nem seu/sua pastor@, nem seu pajé, nem seu dalai, nem seu guia espiritual. Broncas e conselhos de mãe são produtos pessoais e intransferíveis. Aquele poder que eles têm morre com ela. Aquela capacidade de colocar aquela palavra certa (que nem fere demais nem de menos, nem é pesada demais nem leve demais, nem amarga nem doce) morre com ela. Aquela forma de chamar sua atenção que só ela tem se foi. Para o seu total desalento.
  2. Morre também com sua mãe a capacidade imensurável de lhe perdoar. Saiba que ninguém será tão compreensivo com você quanto ela.

 

  1. E o mais importante: nenhum outro amor que você arranjar vai substituir aquele que ela nutria (e demonstrava, em maior ou menor grau) por você. E nem o seu por ela – por mais que você não demonstrasse, às vezes.

 

Talvez tudo que esteja aqui escrito não sirva. Afinal, Mãe (assim mesmo, com inicial maiúscula!), car@s amig@s, é uma só. E não adiantam tecnologias nem clonagens.

Deixe uma resposta