PALAVRAS NO AVESSO – SUA COMUNICAÇÃO É SUA IMAGEM

Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz
Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz

Uma conhecida marca de refrigerante, lá pelos anos 1990, para lançar o guaraná da sua linha de produtos e, ao mesmo tempo, minar o terreno do concorrente, já bastante conhecido, saiu com um comercial que tinha como mote a frase: “Imagem não é nada. Sede é tudo”. Como artifício de publicidade, esse slogan até que poderia valer, mas na sociedade real (?) destes tempos, cada vez mais, a imagem é tudo – e o resto é o resto.

A pós-modernidade nos legou uma Sociedade do Simulacro. E o resultado prático disso é que, do  “somos quem podemos ser”, migramos para o “somos quem parecemos ser”.

Sabendo disso, é que me ocupo de alertar aos desavisados. Cuidem da sua imagem total, construam para vocês uma aparência de positividade – claro que essa aparência deve fazer jus a sua essência, senão não se sustenta por muito tempo.

Essa preocupação com a construção da imagem positiva deve expandir-se também para o campo da sua comunicação, uma área que, apesar de hipervalorizada hoje é, contraditoriamente à sua importância, muito pouco cuidada. São frequentes os casos de pessoas bem-nascidas, bem-sucedidas, bem vestidas, bem colocadas na pirâmide socioeconômica que não transportam essa imagem de sucesso para a qualidade da comunicação que efetivam.

Muita gente vem percebendo essa necessidade. Executivos fazem cursos de redação, políticos, artistas, jogadores de futebol contratam media trainers, profissionais consomem os livrinhos do Pasquale, empresas pagam caro por cursos de Oratória, etc, etc. Com a sociedade cada vez mais global, em que as comunicações face a face estão sendo substituídas pela comunicação a distância, esse cuidado com a identidade comunicativa tende a ser cada vez mais sistemático.

Já é fato que, em muitas empresas de recursos humanos, um dos principais instrumentos de avaliação da competência dos futuros empregados é a tal “competência comunicativa”. É nessa hora que você precisa apresentar uma imagem positiva, pois de nada valerão o seu tailleur chique, seu terno bem alinhado, sua escova, seus dentes recém-branqueados se você não souber expressar-se com clareza, elaborar um texto coerente, demonstrar que possui informações atualizadas sobre o mundo, colocar bem as concordâncias, as regências, falar de maneira adequada à situação em que está.

Em tempos de internet e redes sociais, a preocupação com a qualidade da sua comunicação (sobretudo o que circula pelos e-mails, Facebook, Twitter, Instagram) deve ser maior. Por exemplo: antes da internet, quando você escrevia uma carta comercial com uma vírgula mal empregada, o erro tinha uma possibilidade de incomodar somente ao destinatário dela. Agora é diferente: se você me envia um texto e eu, por acaso, gosto do conteúdo e quero compartilhar nas minha redes, basta um clique para que centenas ou milhares de pessoas a recebam em questão de minutos… e aí lá vai aquela sua vírgula separando sujeito de predicado correr o mundo. Sabe lá Deus quem terá acesso ao seu texto. E já pensou se, para sua infelicidade, seu chefe fizer parte da minha lista ou rede? Nem adianta pôr a culpa no famoso “erro de digitação”.

 

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