PALAVRAS NO AVESSO – DIA INTERNACIONAL D@ SECRETÁRI@

Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz
Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz

Minha amiga, Nilzenir Ribeiro, secretária executiva de longa data e reconhecida atuação no mercado e na academia, com livros publicados sobre a área e com passagem pela presidência do Sindicato dos Secretários e Secretárias do Maranhão (SINDSEMA), me informou que, exatamente nesta quarta-feira (hoje), é comemorado o Dia Internacional d@ Secretári@. A data foi aprovada em um congresso do setor, na África do Sul, em 1997, e adotada também no Brasil.

É um reconhecimento merecido a um profissional de grande importância, no mundo corporativo.

Tão importante que ganhou formação superior. Tive a honra e o prazer de começar minha carreira docente como professor do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue, na Faculdade Atenas Maranhense, comandada pelo saudoso José de Ribamar Fiquene.

Foi um tempo bom, aquele. Tínhamos professores e professoras empolgad@s,  comprometid@s em dar aos estudantes a melhor formação, a mais ampla qualificação, fazendo-@s entender que secretári@ executiv@ era muito mais que a moça (ou o rapaz, em menor grau) que escrevia memorandos ou arrumava a mesa para as reuniões da diretoria ou ainda que agendava as reuniões do chefe.

O curso tinha uma gama de conhecimentos teóricos e práticos e a minha disciplina, especificamente, versava sobre as competências linguísticas que @ profissional devia ter para construir a comunicação interna da empresa – e, para isso, analisávamos documentos, escrevíamos documentos (nos mais diversos gêneros), revisávamos documentos, individual e coletivamente, no esforço de deixá-los mais claros, diretos, objetivos e concisos – enfim, mais modernos.

Lembro de uma atividade que fizemos, uma vez em sala, que acabou rendendo um lindo projeto. Levei para a sala um artigo de um executivo, que tinha sido publicado em um jornal, e que desqualificava @s secretários. @s alunos ficaram revoltados. Então, eu propus que tod@s escrevessem um artigo de resposta, prometendo que os melhores seriam publicados nos jornais de São Luís. O trabalho ganhou uma dimensão tão grande que se transformou no livro “Secretariado: mitos, falácias e verdades”, organizado por mim, Nilzenir e Tatiana. Detalhe: o artigo do tal executivo nunca existiu; foi criado por mim só para fomentar a escrita da turma. Coisas da docência. Coisas que uma turma de alun@s empolgad@s provoca no professor.

Muitas outras ações foram feitas no curso. Debates, palestras, visitas técnicas, ações sociais, caminhadas para lembrar datas importantes, projetos acadêmicos. Ester Rates, Ana Vera Sales, Socorro Fortes, Nilzenir Ribeiro, Conceição Moura, José Neres, Lindalva Barros e tant@s outr@s docentes ajudamos a formar um time de profissionais competentes e bem qualificad@s, que ocuparam espaços e honraram o nome da profissão no mercado de trabalho maranhense, público e privado.

Claro que a crise, as reestruturações produtivas, as novas tecnologias, a globalização e tantos outros efeitos destes tempos acabaram por reconfigurar a profissão. Certamente, onze anos depois que me afastei da área, ela deve ter outras características. Mas a sua necessidade está lá, sempre presente. E o seu valor continua sendo bem maior que o da moça (ou do rapaz) que escreve os e-mails para o chefe ou arruma a mesa para a reunião da diretoria.

 

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