PALAVRAS NO AVESSO – A PAIXÃO É UMA LUZ QUE PISCA

Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz
Marcos Fábio Belo Matos – professor doutor do Curso de Jornalismo da Ufma Imperatriz

Azul. Amarelo. Verde. Vermelho. Fúcsia. Preto. Branco. Dourado. Prata. Roxo. De repente, não mais que de repente, uma luz começa a piscar ao seu lado, intermitente. De início, pisca de maneira assistemática, você nem se dá muito conta de que ela acende/apaga a intervalos irregulares, de quando em vez. Você está ali, na fila do banco, na padaria, na parada do ônibus, na porta da faculdade, vendo um jogo com os amigos, estudando, na mesa do bar com as amigas, em casa lavando louça ou fazendo faxina e ela acende/apaga, rapidamente, num átimo. Quando você percebeu, ela já sumiu. E uma hora dessas, de novo, vai acender, pra pegar você no contrapé.

Aí depois ela vai ficando mais presente, mais insistente, mais forte, mais luminosa, mais brilhante, mais intensa. Há mesmo um momento em que ela vai piscar tanto, que parece acesa perenemente. E você não vai poder ignorá-la… porque não quer ignorá-la. Na verdade, é você quem a faz piscar assim. Foi você quem pediu; foi você quem causou isso. Ela é apenas fruto dos seus desejos, das suas carências, das suas vontades, das suas idealizações, do seu fogo, do seu jogo, do seu impulso, do seu coração. Ela pisca, pisca, pisca porque atende ao seu comando; e na velocidade que você determina.

Depois, fica mais regular. E vai acompanhar você durante todo o seu dia e noite. Regularmente, vai piscar ao seu lado, vai se fazer presente nos mais distintos momentos da sua vida prática. Na escola, na faculdade, no trabalho, na igreja, nos eventos sociais, no cinema, dentro do ônibus, dirigindo seu carro, fazendo um lanche, papeando no jardim, no banco da praça, lendo um livro, revista, jornal, vendo a internet, no celular. Ela sempre, ela lá.

E ela pisca porque dentro dela está alguém. Alguém que você conheceu um dia, de maneira planejada – ou não (o que é mais provável que tenha acontecido); alguém com quem cruzou numa situação absolutamente prosaica; alguém que, literalmente, atravessou a sua vida, numa hora boa ou ruim; alguém que, enfim, fez você virar a cabeça para o lado; alguém que te tocou. Alguém que cruzou seu caminho, ou que você, conscientemente, fez que cruzasse. Alguém que, agora, caminha com você, uma presença fosforescente, ali, ao lado, acendendo/apagando, para fazer você nunca esquecer que ela vibra, viva, na sua cabeça, no seu corpo e no seu coração.

Você será capaz de fazer tudo o que precisa fazer, durante o seu dia útil. Será capaz de tomar todas as decisões importantes que precisa tomar. De praticar todas as ações que precisa praticar para dar seguimento à sua existência. Mas, agora, não estará mais sozinho. A vida é sua, os passos são seus, as ações são suas, mas uma coisa, externa a você, pulsa e impulsiona, como uma manivela. E a pessoa está lá, ao seu lado, a brilhar, acender/apagar, apagar/acender, como um farol, como um vaga-lume, como um smartphone. Está lá com sua presença/ausência, que faz você se sentir, enfim, tão bem.

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