Palavras no Avesso – É Gratificante a Docência

Professor doutor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão e membro da Academia Imperatrizense de Letras, Marcos Fábio Belo Matos, terá sua coluna semanal no Portal Editor Chefe.

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…sim, é gratificante, muito gratificante ser professor. Para além do trabalho cansativo e infinito de preparar aulas, pensar em conteúdos, preencher quilos e quilos de formulários da burocracia docente (planejamentos, planos, planilhas de nota, frequência, formulários para todos os gostos), ministrar aulas às vezes sem recursos além do gogó, pensar em projetos de pesquisa, extensão, participar de reuniões diversas, orientar monografias e outras coisas que se interpõem, no dia a dia, é gratificante, sim.

É uma atividade mal paga e mal reconhecida. Em todos os níveis (uma vez, minha filha, que morou um ano na Coreia do Sul, em Seul, conversando comigo pelo Skype, me disse que, com o meu nível de formação, eu seria rico sendo professor por lá). Uma profissão que não merece, de quem toma as decisões e se diz gestor@ da educação, a atenção devida – nem desejada. Fazem (os plutocratas) o básico e o que está na lei – quando fazem. Isso a despeito de, visivelmente, ser a profissão sem a qual nenhuma outra se faz. Ou não é?

Mas é intensamente gratificante viver, ano a ano, a experiência da formação de pessoas. Chegar ao final de uma etapa e ver os seus alunos e alunas se formando, recebendo aquele canudo que, para eles e elas, representa o começo de uma vida nova; ou, ao menos, o sonho alimentado de uma vida diferente daquela realidade em que vivem. Ou, no caso dos colegas do Ensino Médio, ver seu aluno ou aluna passando no Enem e iniciando uma etapa da vida cheia de esperanças. É uma sensação gostosa saber que você fez parte, diretamente, do crescimento intelectual e profissional de alguém. Em todos os níveis, o sentimento deve ser o mesmo.

É igualmente gratificante fazer novos amigos, ano a ano. Sim, porque, como são pessoas, seus alunos e alunas acabam por se tornar seus amigos/amigas. Quando não se tornam, ao menos, estabelecem com você uma relação de respeito e carinho. Claro, têm os que te detestam. Normal. Mas, mesmo esses, têm respeito por você – ou quase isso.

Também é gratificante trabalhar buscando conhecimento. Procurar entender esse conhecimento para transmiti-lo da melhor maneira possível a um punhado de gente interessada (ou não muito) em recebê-lo. Como um padeiro, que transforma uma massa amorfa em um pão apetecível, o professor transforma o conhecimento em algo que seja digerível – se possível, agradavelmente digerível.

É, por fim, gratificante conviver com os colegas da educação, falar de educação, pensar numa educação melhor, lutar por ela. E vibrar quando conseguimos algum tipo de vitória, de melhoria – de salário, de estrutura, de processo ensino-aprendizagem.

Eu quis ser professor, desde sempre. Minhas primeiras memórias docentes são de quando eu tinha doze, treze anos, e dava aula de Português para meus colegas, que tinham ficado de recuperação, no Sesi de Bacabal. Meu primeiro emprego foi de professor de Inglês para alfabetização. A vida tratou de abrir caminhos e consolidar o meu desejo.

Até hoje, não me arrependi. E todos os dias me convenço de quão gratificante é.

 

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